quarta-feira, 4 de julho de 2012

DESDIZENDO



























Sinto dizer,
mas os sonhos se foram,
deixaram-me, enfim.
Com mãos de ferro,
arranquei-os desse coração tão tolo.
Onde antes eles estavam,
ficou uma chaga dolorida
lavando-me todo dia a face,
com lágrimas frias.

Sinto dizer,
mas a dor também se foi.
Deixou-me, pouco a pouco,
foi morar n’outro lugar.
Levou consigo os suspiros,
não há mais lágrimas,
não há mais ais
... não há mais.

Sinto dizer,
mas também não estás mais aqui.
Deixou-me desde sempre,
para nunca mais.
Em teu lugar, o nada.
Consigo, levas-te tudo.
Sofro a ausência de mim mesma,
sigo levando a vida a esmo.
... vazio infinito e silencioso...

Sinto dizer,
Mas preciso desdizer.
É que às vezes me traio,
- Maldita auto-infidelidade! -
Retomada a confusão:
Renascem os sonhos,
Reincidem as dores
E adivinha o que mais...?

Fabiana Gusmão

2 comentários:

  1. Sem tristezas, poeta. Divagamos assim, você compreende bem o processo. Grata pela visita!

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