terça-feira, 18 de outubro de 2016

(In)verso

Imagem registrada pela própria autora em Porto Seguro, BA.
Quando me calo, grito.
Quando lhe mato, morro.
Quando lhe falo, aflito,
Na palavra escorro.

O meu olhar repleto,
Meu andar ostenta.
O meu sonhar secreto,
Minha dor sustenta.

E se choro, canto,
E em meu canto, existo.
Se lamento em pranto,
Já não mais insisto.

Meu corpo labuta,
Nessa lida santa.
Meu sorriso oculta,
O que a alma espanta.

E de verso inverso,
Desfaço o caminho.
Se não vou, regresso,
Impávido ao ninho.


Fabiana Gusmão




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