sexta-feira, 17 de junho de 2016

SEM NOME

Imagem do Cemitério do Kadija, localizado
 na periferia do município de Vitória da Conquista - BA.















Lá fora, onde ruge o vento,
Gente sem dono, sem documento,
Range os dentes, num gemido mudo.
Silencioso gemido de medo e de dor.

Sobe o morro, desce às baixadas;
Vem ver de perto as cruzes fincadas;
Curtas histórias sem fim.
Vidas ceifadas sem clamor.

Chega mais perto, toque a fronte,
Eis a mulher que perdeu seu infante
Cujo sono outrora embalava...
Cujo corpo, sem vida, ora embala.
.............
Ninguém a escuta, ninguém a vê;
Recolhe o menino sozinha;
Sussurra-lhe: a bala, nem doce, nem perdida...
Conta-lhe em segredo todos os sonhos,
Que partiu sem sequer sonhar.
E leva-o, amparado em seus braços,
Uma última vez, enfim!

Fabiana Gusmão, reflexão em 18 fevereiro de 2016.


2 comentários:

  1. Poesia profunda... belíssima reflexão.

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  2. Obrigada, querido! A sua visita e apreciação não tem preço!!!

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